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O amadorismo no combate ao cibercrime

Vladimir Amarante e a Dra. Patricia Peck

Na manhã desta terça (28), a Symantec apresentou os números sobre ameaças e ataques no Brasil e América Latina que integram a 23ª edição do Internet Security Threat Report, relatório anual elaborado pela empresa. “Foram mais de seis meses de análise em 157 países para chegar a esse resultado que reforça a importância das boas práticas de segurança, especialmente nos dispositivos móveis”, explica Vladimir Amarante, diretor de engenharia da Symantec Latam.

Pelo levantamento, o Brasil é o sétimo país que mais gerou ciberataques no mundo em 2017, com 3.39% dos ataques globais, índice que o deixa na liderança do ranking na América Latina. Também somos o terceiro país com mais spam no mundo, o quarto com maior número de bots e o sétimo em ataques ransomware e criptomineradores.

Na avaliação da Dra. Patricia Peck Pinheiro, advogada convidada para comentar os dados do estudo, isso mostra como ainda somos um país amador no combate ao cibercrime. “São dois fatores que contribuem bastante para este cenário: primeiro a impunidade desses criminosos, já que apesar das leis nacionais ainda há muita dificuldade para aplicar o flagrante digital; e o fator comportamental, pois muitos usuários são omissos, e além de baixar conteúdos duvidosos, não fazem atualizações de segurança”, afirma a sócia-fundadora do Patricia Peck Pinheiro Advogados.

A advogada também alerta que muitas empresas que não fazem programas preventivos e nem possuem plano de ação na área de Segurança da Informação, e apesar de constar no Marco Civil da Internet “o dever constitucional do Estado na prestação da educação (…) para o uso seguro, consciente e responsável da internet como ferramenta para o exercício da cidadania”, não vemos campanha pública para aplicar e desenvolver essa conscientização.

“Com toda certeza o brasileiro do lado do crime é mais criativo, e do lado da vítima acaba sendo muito inocente e negligente com segurança. Normalmente somos vítimas do crime de invasão a partir de com cupons e apps falsos, do sequestro dos dados, e agora do ataque ao espaço de processamento ocioso das máquinas”, explica a Dra. Patricia, que se refere ao aumento de 8.500% em 2017 do chamado cryptojacking.

Apesar da posição de destaque do Brasil em termos de ataque, alguns tipos de ameaça diminuíram em 2017 em relação ao ano anterior. É o caso do malware, em que o país caiu 7 posições e agora ocupa a 13ª colocação no ranking global, e a 8ª posição em ataques de redes, ante o 2º lugar em 2016.

Acesse AQUI os dados completos referente ao Brasil.