Inteligência Artificial: gestão dos riscos e novas regras de proteção dos dados pessoais

Para celebrar os 14 anos de vanguarda, pioneirismo e reconhecimento no #DireitoDigital, o Peck Advogados promoveu na manhã de hoje (3) o evento “Inteligência Artificial: a gestão dos riscos e as novas regras de proteção dos dados pessoais”. Realizado no Espaço Itaú de Cinema, no centro de São Paulo, o encontro teve a presença de gestores, clientes e parceiros, e também de três robôs, numa oportunidade para discutir e vivenciar o grande potencial revolucionário da indústria 4.0.

Abrindo as atividades, o sócio Dr. Leandro Bissoli falou sobre a relevância e urgência de abordar a Inteligência Artificial, especialmente por impactar áreas como a privacidade, a concorrência e os empregos. “Como os algoritmos já estão por trás das mais variadas decisões que diariamente afetam nossas vidas – desde a indicação de um trajeto até a escolha de um filme -, a transparência é ponto crucial para garantir um contexto ético e legalmente apropriado. Que não é a divulgação do código fonte, mas sim a explicação sobre a lógica envolvida no resultado.”

Na sequência, foi a vez de Oliver Cunningham analisar a aplicação da IA nos negócios. O líder de Transformação Digital e Inovação da KPMG no Brasil destacou como o modelo atual aplicado nos mercados precisa ser maximizado para comportar as possibilidades de aprendizados que não se limitam. “Estamos num contexto em que o capital intelectual é o ativo intangível mais valioso da Sociedade. Como o conhecimento ganha valor com o tempo, diferente do que acontece com a lógica das startups, o algoritmo de IA aumenta de valor conforme a disposição, a quantidade de bases e o tempo em que tiver exposto aos dados. É uma configuração em rede, onde as linhas de conhecimento são dados soltos, capturados e transformados em capital estrutural.”

Mauro Mello, CEO do Grupo Credilink, comentou como a empresa sempre valorizou e utilizou soluções baseadas em IA para ampliar a segurança dos dados, a partir de ferramentas que ajudam nas investigações e em processos judiciais, especialmente contra fraudes. São métodos que permitem melhorar e potencializar as investigações de crédito, cruzando dados e permitindo um rastreamento completo de fraudadores. Cezar Taurion, head de Digital Transformation da Kick Ventures, também apontou os ganhos de eficiência com a utilização de máquinas nas corporações, mas deixou uma provocação. “Precisamos encarar que a robotização vai eliminar profissões, transformar carreiras e criar novos cargos. Para enfrentar esse cenário desafiador, é preciso repensar o modelo educacional e de formação profissional, que ainda está fundamentado em um modelo industrial ultrapassado.”

Chamada ao palco pelo robô NAO, a Dra. Patricia Peck ressaltou importância da gestão estratégica da Propriedade Intelectual na IA, tema que faz parte da sua pesquisa na tese de doutorado. “Qual o repertório que preciso para tomar a melhor decisão de risco ao inovar? Na IA e na inovação é preciso pensar na proteção da PI, a ética no uso, a responsabilidade de máquina (quem responde), cibersegurança e os impactos trabalhistas. São criações que demandam proteção jurídica, e para terem relações de consumo e de convivência sustentáveis, precisam de transparência durante todo o processo – desde a fabricação até a implementação.”

Eduardo Cabral, Sales Specialist – Cyber and Cloud Security na Symantec, mostrou o grande desafio das empresas em identificar como funciona o fluxo dos dados, principalmente em descobrir e localizar onde as informações confidenciais estão realmente armazenadas (nuvem rede, sistemas de armazenamento). “É preciso monitorar o uso e o acesso dos dados. Integrações, machine learning e IA podem ajudar nessa missão de ter um sistema analítico eficaz, com um centro de análise comportamental do usuário, mapeando quais pontos mais precisam de proteção, de modo a fazer negócios sem tantos impactos.”

Finalizando o dia de apresentações, Claudinei Elias, Managing Director da BWise Nasdaq Brasil, trouxe mais detalhes sobre o GRC e o Mercado de Capitais. O gestor acredita que não existe iniciativa isolada para a disrupção e que para ter maior aderência, as novas tecnologias e processos precisam de facilidade no consumo. Ou seja, para atingir a mudança de cultura, tem que ser fácil e palatável. “O GRC Integrado ainda é um processo em maturação na maior parte das companhias, no entanto é uma percepção emergente de GRC como um conjunto integrado de conceitos que, quando aplicados de forma holística dentro de uma organização, podem agregar valor significativo e fornecer vantagem competitiva.”

Em seguida, todos os palestrantes se reuniram para tirar dúvidas da plateia e encerrar a programação de painéis. “Estivemos todos reunidos, debatendo e trocando uma série de conhecimentos, mas caímos em uma velha questão: como colocar em prática? Hoje vivemos um momento de salto para uma nova dimensão, e vão sair na frente aqueles que souberem antecipar oportunidades, identificar riscos e se adequarem às novas regulamentações”, concluiu a Dra. Patricia Peck.

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